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questo silenzo dentro me

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às vezes eu queria saber falar muita coisa, mas só o silêncio e a folha em branco cabem em mim e ao meu redor Deu uma saudade enorme, de muita coisa, uma delas foi a Itália. E a Itália tem a cara da Itália, mas ela também tem a sua cara, o seu cheiro, o calor do seu abraço Digo apenas que olhei nossas fotos, lembrei de nós dois em Roma. Lembrei de nós dois em qualquer canto do mundo. Quantas vezes já escrevi, nesse mesmo blog, que podia faltar tudo, mas tínhamos um ao outro e isso era tudo, de modo que não faltava nada. Nada mais sou capaz de dizer. Tenho saudade e vou guardar você comigo; acho que vou guardar a sua memória comigo enquanto o mesmo céu azul estiver sobre o Brasil e sobre a Itália. Sobre qualquer canto do mundo. Em qualquer canto do mundo, eu serei o mesmo, o sentimento vai existir e espero que você exista - bem e feliz, ainda que longe "Questo silenzo dentro me È l'inquietudine di vivere la vita senza te" La solitudine - Laura Pausini

onde estávamos quando o tempo passou?

Toda vez que penso em você, repito "de resto, a vida passa e a gente nem vê" Esquecer quem a gente deixou de amar... vá, lá. Mas e quem a gente não deixou de amar, como faz pra esquecer? Em quatro anos, você foi o meu companheiro - às vezes longe, às vezes perto - nos fins de ano, nos fins de ciclo, nos fins de semestre, nos fins. Até que o nosso fim chegou. Num dos natais em que éramos namorados, estávamos em Portugal e ontem, 24/12, o facebook me lembrou que eu escrevi - por ocasião desse natal - que eu estava entre amigos queridos, mas também estava em família, porque você também era a minha família, já, naquele natal de 2013. A vida passa e a gente nem vê. Quanto tempo passou desde aquele natal? quanto tempo passou é fácil calcular fora de nós, é só olhar pro que tá no calendário, é só contar os anos, dá pra saber. E dentro de nós? Como sempre foi e sempre será, eu consigo falar (ou posso tentar) sobre o que está dentro de mim. Mas nunca sobre o que está dentro de ...

"Sambando eu mando a tristeza embora"

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Baixada a poeira, é hora de levantá-la novamente. Mas a gente pode fazer isso de maneira boa. Na Estação Primeira canta-se "Cuidado que a Mangueira vem aí, é bom se segurar porque a poeira vai subir". Mas não tô aqui pra falar de Mangueira ou Portela ("se eu for falar da Portela, hoje eu não vou terminar" rs). Mas tô em Madureira pra falar do Império Serrano. A comunidade da serrinha vem pra 2017 com um dos sambas mais bonitos do ano, numa homenagem ao poeta Manoel de Barros. O que rola, na real, é que em Madureira tem poesia no ar e o samba é lindo de viver. Império Serrano busca melodia, cadência e uma letra linda pra contar a história do poeta. Abre-te ao samba, ao amor. Ou, como diz o próprio samba, "Abre a janela vem ver ôô / poesia brotar no quintal": Ouça aqui o samba do Império Serrano pra 2017 Meu quintal é maior que o mundo - Império Serrano 2017 ABRE A JANELA VEM VER ÔÔ POESIA BROTAR NO QUINTAL O CARNAVAL FLORESCER MENINO BERNA...

Eu (...)

Esses dias me deparei com Clarice Lispector sendo lida por uma atriz. Um vídeo no youtube, coisa simples. Mas a profundidade do texto de sempre, que acompanha qualquer escrito da nossa madame Lispector. No texto, a atriz proclamava, com dicção vibrante e sotaque carioca: "se eu fosse eu...?". Hoje, eu sou eu e entro no meu mais profundo eu. Hoje, o amor é latente, ele pulsa nas veias, ele abala as estruturas do corpo, ele faz chorar. Hoje eu caminhei pelo meu passado recente, eu senti as dores de sempre, eu amei mais uma vez. A falta mesma, de amor, como diria o poeta. Se eu fosse eu, o que eu faria? Hoje eu fui eu e sinto até o último fio de cabelo a dor de ser quem sou eu. Hoje eu lembrei daquela conversa sofrida: "Mas ficar com ele não vai abalar quem somos? 'não'; mas, ser tão próximo dele depois de tudo não configura uma relação? 'são diferentes'; mas e nós? 'nós estamos bem, eu te amo'". Se eu fosse eu, naquele momento (ou naqueles ...

It doesn't even matter

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Para ler ao som de:  Talvez valha a pena escrever uma montanha de clichês, de vez em quando. Quem sabe eles expurgam o que tá aqui dentro, ajudam a ressignificar, a curar isso que tem feito tanto mal. Pra começar, manda aquela frase do Jota Quest: vivemos esperando dias melhores. Na real, porque como diz outra parte dessa música, vivemos esperando o dia em que seremos para sempre. Essa é a história de um amor que não deu certo. Dois meninos que se encontraram numa festa aleatória e que já tinham se cruzado antes e que se curtiram e que começaram a ficar e que, desde o começo, se deram tão bem, que todos os sinais eram de que o mundo havia juntado duas pessoas que nasceram pra ficar juntas. Pra sempre. Os primeiros beijos, os primeiros dias, as primeiras semanas, as músicas toda vez que completavam mais uma semana juntos. Durou quase até outubro essa brincadeira de postar música. As viagens, os sonhos, as transas, as primeiras brigas. O amadurecimento. O apoio mútuo. A ...

No Rio, em casa

Chegar no Rio é chegar em casa, e a gente sabe como é chegar em casa, porque a gente tem saudade de casa. Passar uma semana fora já deixa a gente com saudade daqueles mergulhos no sofá da sala, de tocar sua música enquanto toma aquele banho esperto, de sentar no chão pra folhear seus livros. Mas quando eu chego no Rio, tenho essa mesma sensação, com uma saudade agravada por – algumas vezes – meses de distância. E poder entrar num dos ônibus malucos que correm a Avenida Passos em direção à região sul e sentir o velho conhecido frio na barriga todas as benditas vezes em que os motoristas dão aquela freada brusca – o que rola em cada esquina, em cada semáforo, diante dos táxis amarelinhos, sei lá – só isso já é a velha sensação de entrar em casa e largar no canto a bolsa (e a roupa). Da Zona Norte à Zona Sul, se enfurecer no metrô lotado, pegar um trem da Central, ter plena consciência da desigualdade surreal e criminosa que separa a Zona Sul do subúrbio, ou os bairros nobres da peri...

O retorno da dor

Às vezes volta a doer quando vc menos espera. Dói por tantos motivos estupidos. Hoje doi, mais uma vez, por tudo que eu fiz pra que a gente tivesse algo, conseguisse conquistar algo e viver melhor. Nunca foi suficiente. Eu sei que é besteira ficar revivendo / repensando no que já passou e não tem solução. Mas é tão tão tão revoltante. Eu soube da novidade. Soube pelos amigos, meio sem querer. Ele não só não quis viver comigo, como - de covarde que era - sempre me atrapalhou viver plenamente aquilo que eu queria muito. Mas eu o amava. E como disse uma postagem de facebook, outro dia: se afastar de alguém é difícil. Mas se afastar de quem você ama, isso é foda pra caralho. Que tristeza.